Blogs interferem em buscas na Web
Por Joanna Glasner
Os sites comerciais acreditam que uma boa colocação entre os resultados de buscas na Web é tão importante para atrair clientes que muitos estão dispostos a pagar grandes quantias para patrocinar palavras-chave ou contratar "consultores de posicionamento" para garantir um lugar de destaque nos sites de pesquisa.
No entanto, sem qualquer esforço deliberado, os autores de weblogs estão vendo que seus sites aparecem com facilidade em pesquisas sobre assuntos dos quais, muitas vezes, eles não têm conhecimento algum. Os blogueiros atribuem esse sucesso à freqüência com que atualizam suas páginas e ao número de links que outros sites oferecem para o seu conteúdo ¿ dois dos principais fatores levados em conta pelos sites de busca para decidir quais resultados devem aparecer primeiro. "Cada vez mais, eu encontro a mim mesmo no Google", confessa Russ Beattie, que publica um blog a partir de sua casa em Madri. "Ainda não tive a oportunidade de tropeçar no meu weblog quando procurava por alguma coisa completamente aleatória, mas já fiz buscas envolvendo assuntos de tecnologia a respeito dos quais eu havia expressado alguma opinião, e então passei pelos meus próprios artigos", conta Beattie num e-mail.
Outros internautas também estão sendo direcionados ao blog de Beattie. Segundo o autor, semana passada, num período de 24 horas, o blog registrou mas de 150 acessos de usuários do Google, a partir de palavras-chave como "Kim Possible" (um desenho animado da Disney), "estrutura de menus Lotus para carros" e "cartões de Natal". "Eu lembro de ter mencionado que tinha gostado do desenho, mas o resto não faz muito sentido", destaca.
Beattie esta longe de ser o único blogueiro cujos comentários mais casuais sobre um determinado assunto acabam atraindo internautas. Scott Gowell, da cidade de Lansing, Michigan, teve uma experiência semelhante depois de fazer uma breve referência em seu blog Sinekow a um incidente num shopping center local. Muito depois, ao procurar o site do shopping para obter uma lista de lojas, ele percebeu que o primeiro resultado da busca apontava para a sua página pessoal. Noutra ocasião, Gowell e um grupo de colegas numa aula de programação publicaram na Web um texto perguntando como ativar um recurso de som usando Java 3D. A pergunta gerou uma colocação tão favorável nos sites de busca que eles receberam inúmeras respostas.
Pete Prodoehl, editor do blog de tecnologia RasterWeb , diz que é comum ver os resultados apontarem para o seu weblog quando a busca trata de assuntos que ele teria comentado brevemente. Na opinião dele, a receita para obter uma posição privilegiada nas buscas da Web é simples: "Atualize com freqüência e ofereça conteúdo de qualidade". Ainda assim, por mais fácil que isso seja para alguns weblogs, muitos sites de empresas têm dificuldades para se manter entre os primeiros resultados das buscas por palavras relacionadas à sua área de atuação.
Frederick Marckini, CEO da iProspect, um serviço que ajuda operadores de websites a melhorar sua colocação nos sites de busca, explica que as companhias muitas vezes não percebem que estão competindo não apenas com suas rivais tradicionais, mas com qualquer pessoa que publique material na Internet. "A Web é um grande nivelador", declara. "O bom conteúdo sempre vai ao topo, não importa se ele vem de um weblog ou de uma página corporativa".
De acordo com Marckini, muitos sites empresariais não geram tantos acessos quanto poderiam a partir de sites de busca porque não mantêm URLs fixos para suas páginas internas. Isso impede que elas sejam encontradas pelos "crawlers", os programas que vasculham a Internet em busca de resultados de pesquisa. Muitos blogueiros, por outro lado, costumam postar longos textos numa só página, ou num pequeno número de páginas internas, o que facilita sua descoberta por esses programas.
Mas os esforços das empresas para serem listadas com destaque parecem estar funcionando quando os termos de busca correspondem a palavras mais gerais. Pesquisas realizadas aleatoriamente com nomes comuns e próprios costumam não produzir blogs entre os primeiros resultados.
No entanto, buscas que incluem a palavra "ódio" (em inglês: hate) junto a palavras genéricas ou nomes provavelmente apontarão para weblogs entre os principais resultados. Em pesquisas envolvendo "ódio" e nomes como Microsoft e Britney Spears, por exemplo, os links produzidos incluíam inúmeros weblogs.
Marckini afirma que o bom posicionamento dos blogs nesse tipo de pesquisa se deve ao fato de que os autores desses sites costumam usar uma linguagem mais informal em suas páginas, o que não acontece com os sites comerciais. "Eu não vejo muita aplicação para todo esse ódio no mundo dos negócios", completou.
Fonte: Wired News
BREVES
- O blogueiro
Por Marcelo Estraviz:
Uma é palavra do futuro. Outra é palavra do passado. E quero aqui falar do presente. Linkando-as e religando-as.
Pretensamente, acho que ninguém obteve até agora ao menos uma turva noção do que a modernidade e a tecnologia representam para o que chamo de mundo novo. E humildemente percebo que não serei eu que terei essa noção. Quero aqui contribuir para o caldo sináptico de teorias. E fazer convites. Um convite para a ação e outro para a conexão.
Antes de explicar o que é linkania - e assim mantenho o suspense e o interesse no artigo :) - quero explicar que alguns erros estão sendo cometidos pelos pensadores (aqui meu lado pretensão) ao mesmo tempo que a humanidade ri, as pessoas comuns não se preocupam com isso, continuam vivendo e gerando as variáveis que estabelecerão o novo paradigma. O tal do mundo novo.
Acho impertinente a visão pequena que associa a internet a um pequeno grupo de pessoas. Porque pra mim internet é rede. Rede é link. E os pobres fazem links há muito mais tempo que nós, os tais conectados. E parece que estamos agora podendo perceber isso, numa espécie de retomada da espontaneidade da solidariedade. É como voltar ao paraíso. É como deixar o inferno da "coisificação". Ficamos muito tempo deslumbrados com a máquina enquanto que o humano era algo obsoleto. Sou um otimista que enxerga o mundo novo como a volta à conversa, ao link. A possibilidade nunca foi tão presente.
Temos o maior projeto cooperativo da história da humanidade, o linux. Temos uma retomada da conversa despretensiosa, não corporativa, descompromissada e não hierárquica, através dos chats, dos blogs, das listas. E temos os encontros em carne e osso, vitais e reais, que impedem os críticos de propor a falsa rotulagem de que os internautas são seres solitários. (Eles são, isso sim, soliDários...). Temos as iniciativas valiosas da internet nas favelas, nas escolas, nos postos públicos. Temos o mundo corporativo já conectado, onde o office boy não fica mais na fila do banco (ou finge que fica, passa as contas pra secretária pagar pelo bank line e vai jogar fliperama...)
"O computador conectado será em breve (e já é para muitos de nós) uma extensão tecno-natural de nossas mentes e corpo, assim como o carro é há muitas décadas uma extensão tecno-natural de nossas pernas". (isso é copyleft do marioav)
E então o que falta ? Falta pouco. Falta tempo. Falta só que alguns velhos morram, outros se aposentem e que esta geração jovem já conectada cresça, tome seus lugares nas empresas, nos governos e nas ONGs. Só isso. A nós que estamos vivendo no limbo, no gap desta revolução, só nos resta desfrutar deste mágico momento da incerteza, do caminho nebuloso. Eu estou curtindo viver isso. Esses momentos de tensão e distensão. É como um parto. Sabemos que o mundo novo nascerá saudável, mas essa expectativa/gravidez é uma mistura de aflição com entusiasmo ... Ops. Já ia esquecendo de explicar o que é linkania e religare (grávido é assim, está sempre nas nuvens)
Linkania (copyleft meu) é termo do futuro. É que ando cansado do discurso vazio da tal cidadania. Vazio porque não diz quase nada, mas fica bonito dizer. Cidadania, na essência, está vinculado (linkado?) a direitos e deveres. E ao invés de falarmos e exercemos plenamente isso, discutir, ensinar, propagar, falamos na vaga terminologia da cidadania. Os miseráveis escutam e dão de ombros. Os ricos falam e se sentem cidadãos. Se todos soubéssemos quais são nossos direitos e quais são nossos deveres, metade dos problemas (eu diria que mais, mas serei aqui cauteloso) estariam resolvidos. Mas cidadania é mais pomposo. Pega bem. E aí veio o insight : cidadania vem de cidadão, vem de cidade. Mas estamos tão desterritorializados nesta teia que a cidade perde o sentido pra mim, sabe ?
Os ecologistas geração-68 nos trouxeram frase ótima : Pense globalmente e aja localmente. De um lado a globalização, (que sou favorável, porque não é só econômica, aliás essa é a parte que menos me interessa). Do outro lado, o local, a associação comunitária de bairro, que promove cursos, ensina capoeira, tem creche... Ah ! Você não conhece ? Mas os pobres sim. Tua empregada conhece. É que eles estão conectados, sabe ? Estão linkados uns com os outros. Aprenderam faz muito tempo.
Então linkania é isso. É a cidadania sem cidades. É desterritorializado. A ação se dá localmente, mas a conexão é global. É o link do amigo, do vizinho. É a dica. É o negócio entre duas empresas de 2 continentes diferentes. É a ajuda que teu primo te dá desde Madri por email. É a discussão que circula na lista pra visitar tal exposição, e o link pra exposição, que imprimem e colocam no mural da creche. Tudo isso é link. É a matéria que um blogueiro comenta e que te faz pensar. É a descoberta valiosa do desempregado que vai a um infocentro e se cadastra em um programa de governo que lhe dará um emprego. E foi o vizinho que disse. Deu a dica, o link. E aí, pouco a pouco, vamos descobrindo quais são nossos direitos, porque a informação pública. E vamos percebendo quais são nossos deveres, porque quem está em volta sugere e a gente concorda. E é assim mesmo, meio caótico, desestruturado. De acordo com o interesse de cada um e na disponibilidade que o sujeito tem em linkar e ser linkado. Em receber e repassar informação. Os herméticos irão perdendo terreno, ou se linkarão a outros herméticos e então tudo bem. Os velhos irão perdendo o terreno. Ou se linkarão com outros velhos, só por prazer. Tudo isso está fluindo e para que mude o paradigma falta pouco. É uma revolução silenciosa e divertida. E é sub-corporativa, deliciosamente caótica, enredada, sináptica, não linear, não metódica.
Percebe que falei todo o tempo de internet e não falei de grana ? É que a internet e não lucrativa, sabe ? Eu não estou falando dos cabos, das máquinas, das bases de dados, isso é "coisificação". Eu estou falando das relações entre humanos. As conversas. Os icqs. É obvio que alguns humanos podem se linkar pra fazer negócios na rede. Mas podem também se linkar pra jogar conversa fora. Em ambos os casos estão conversando percebe ? Cluetrain , saca ?
E ainda não falei em religare mas acho que você já percebeu, não é ? Enquanto linkania é palavra do futuro, religare é palavra do passado. É de onde se originou a palavra religião. Mas acho religare mais bonito. Muito mais bonito. Porque não implica credos, rituais ou instituições. Não implica fiéis e infiéis. Implica basicamente re-conectar-se. Com a vida, com o mundo, com o todo. E com seu vizinho.
Religare está ocorrendo pra nós, que temos internet, somos "incluídos digitalmente", estamos em bunkers em nossas cidades, exercemos ou não uma pretensa cidadania. Estamos na fase "RE" do re-ligare. A miséria esteve sempre no "ligare". Foi sempre a única saída. Entre eles próprios, a fraternidade ocorreu por sobrevivência e com naturalidade. Por isso continuam vivos, porque se ajudam. Nós não os ajudamos desde quando nos desconectamos deles, quando os "coisificamos". E o que falta então ? Tempo. O tempo da nova geração conectada crescer enquanto os filhos dos pobres crescem conectados em suas escolas e associações de bairro. Na rede sem hierarquias e descompromissada, coisas acontecerão.
Cabe a nós conectados o religare. O link que os pobres já exercem entre si. É nessa imensa brincadeira cooperativa onde nos linkamos pela web pra enviar um texto, pra marcar um chopp, que está ocorrendo o caldo, a gênese desse mundo novo. Cabe a nós o link. Quero falar com muitas pessoas. Aprender delas e ensinar pra elas. Numa troca. A idéia do João me dá o insight, que passo pra Maria, que repassa e que o Pedro transforma em ação, que dá uma idéia pro Caio...
Falei no começo que faria dois convites. E você pode escolher. Ambos são muito valiosos. Se você se conectar, já estará contribuindo para o caos sináptico. O caldo ficará mais engrossado e isso é ótimo (e os Pedros e Marias agradecerão). Se você quer agir, siga em frente. Só não seja hermético. Nós perderemos com isso. A tua ação, se não tiver link com nada a não ser com você mesmo, não engrossará o caldo. E aí não dá liga. Agindo linkado, o universo conspirará a seu favor. Parece papo de religião, não é ? Não. Não é. É religare. E linkania.
Publicado simultaneamente em Tipuri e na Revista Novae.
Marcelo Estraviz é consultor de desenvolvimento institucional e coordenador de arquitetura da informação do projeto do governo do estado "Acessa São Paulo". Conselheiro da Ong Trópis, presidente da assoc. de ex-alunos do Colégio Miguel de Cervantes, co-autor do livro "Captação de diferentes recursos para organizações da sociedade civil". Você o encontra no seu blog: Tipuri.
Que links são parte fundamental de um blog você já sabia. Mas sabia também que significavam tanto?(o Marcelo Estraviz é fenomenal).
Para os preguiçosos (como eu), é melhor deixar a moleza de lado e atualizar aquelas coisinhas que fazem parte do seu template, aquelas, que levam a outros blogs, a outras páginas... E nunca (nunca mesmo!) deixar de linkar o cara que escreveu aquele texto que você, com o CRTL+C/CRTL+V, inseriu em seu blog.
E para os que não sabem linkar, aqui vai o famoso código: